A Associação "Trilhos d'Esplendor" com sede na Praia de Quiaios, Figueira da Foz, pretende fazer em caminhadas guiadas uma descrição fotográfica da Flora da Serra da Boa Viagem e das Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas. Também mostramos o uso fito-terapêutico desta Flora cujo valor na medicina tradicional é bem conhecido na população local. São todos convidados para descobrir a beleza florística desta terra. Visitem uma das regiões mais importantes de biodiversidade de Portugal!

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"Polunin - Flowers of South-West Europe - revisited" (Vol. I - Introdução - 371 pp.) (->Download)

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(contains Web links to Flora-On for observed plant species, Web links to high resolution Google satellite-maps (JPG) of plant-hunting regions from the Iberian peninsula; illustrated text in Portuguese language)


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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Flowers of South-West Europe revisited - 24.2 - Baixo Alentejo

“Flowers of South-West Europe - a field guide” - de Oleg Polunin e B.E. Smythies
“Revisitas” de regiões  esquecidas no tempo - “Plant Hunting Regions” - a partir de uma obra de grande valor para o especialista e amador de botânica como da Natureza em geral.
Por
Horst Engels, Cecilia Sousa, Luísa Diniz, Nicole Engels, José Saraiva; Victor Rito
da
Associação “Trilhos d’Esplendor”

24.2 Baixo Alentejo

                

24. Alentejo
Estepe ceralífera
Faixa piritosa ibérica
24.3 Alentejo Litoral
2.1.1.1.1 Costa Vicentina

Baixo Alentejo [1]

Baixo Alentejo [2]

2 4.2 Baixo Alentejo

O Baixo Alentejo é uma Região de clima mediterrânico, sendo caracterizado por uma temperatura média anual elevada que oscila entre os 15º e os 17,5º (registando valores superiores na margem esquerda do Guadiana). No interior, as amplitudes térmicas variam entre os 13º e os 15º graus celsius, sendo que  os dias com temperatura máxima superior a 25º elevam-se a mais de um terço do ano. A precipitação anual é mal repartida verificando-se um excesso de água no Outono e Inverno e acentuada carência no Verão.
Enquanto no Alto Alentejo o bioclima é maioritariamente mesomediterrânico , no Baixo Alentejo o clima torna-se termomediterrânico . Estes termótipos têm como indicadores o IT (índice de termicidade) [3]  e o TP (Temperatura positiva anual) [4] , o IT em casos de temperaturas extremas ainda compensado (ITC) [5] .
Com estas condições climáticas e políticas de agricultura criou-se no Baixo Alentejo uma paisagem antropogénica, uma pseudoestepe, a estepe ceralífera de Castro-Verde, com cultivo de cereais, em consequência de abandono de pastorícia.
Cristina Marta-Pedroso, Helena Freitas e Tiago Domingos  escrevem sobre a “ Estepe ceralífera de Castro-Verde [6] :
A estepe cerealífera surge no quadro das grandes transformações que a paisagem alentejana sofreu desde o início do século passado (ver Birot, 1950; Ferreira, 2001; Feio, 1949; Ribeiro, 1998; para uma descrição pormenorizada desta evolução). Uma etapa importante e decisiva para a evolução desta paisagem foi, sem dúvida, a «Campanha do Trigo», nos anos 30, durante a qual se incentivou o desbravamento das terras incultas, charneca com maior ou menor densidade de azinheira e/ou sobreiro, e a sua conversão em área de monocultura de cereais. Até então, a pastorícia era a actividade dominante na região e os prados (conseguidos com recurso ao fogo controlado) recebiam gado transumante de vários pontos do país. A expansão da área cerealífera em consequência do entusiasmo político da época em transformar o Alentejo no celeiro de Portugal foi travada, entre outros factores, pelos próprios condicionalismos ecológicos da região, nomeadamente os edáficos. Assim e, tal como descreve Feio (1949), « Maintenant que les réserves accumulées pendant beaucoup d’ années sont épuisées et que la prospérité trompeuse qu’elles entraînaient a disparu, la realité apparaît cruellement: la culture du blé n’est pas rentable, les sols sont maigres et pauvres, le climat est des plus ingrats. » De facto, a destruição do coberto vegetal e a mobilização de um solo derivado de xisto, muitas vezes pouco profundo, contribuíram para uma situação grave de erosão do solo.
Assim, a história política da região e a prática cultural adoptada, em resposta aos condicionalismos ecológicos locais, moldaram a fisionomia da peneplanície alentejana criando a extensa área da paisagem que designamos por estepe cerealífera.
Hoje em dia, o cultivo extensivo de cereais é, cada vez mais, uma actividade per se difícil de justificar em temos económicos, uma vez que o rendimento destas explorações está abaixo de metade da média europeia (Suarez et al., 1997). No entanto, ainda que sejam áreas de produção marginal, o mosaico e a estrutura dos habitats resultantes da prática extensiva de cereais faz destas um importante refúgio para várias espécies de aves ameaçadas à escala da sua distribuição mundial (Delgado e Moreira, 2000; Alonso et al., 2003).
A estepe cerealífera de Castro Verde, situada no distrito de Beja e que abrange parcialmente os concelhos de Aljustrel, Beja, Mértola, Ourique e a quase totalidade (80%) do concelho de Castro Verde, representa uma destas áreas de baixa produtividade agrícola mas com elevado valor de conservação da natureza.
Não obstante o reconhecimento deste valor – que é também institucional como demonstra a designação da Zona de Protecção Especial e a implementação do Plano Zonal de Castro Verde – a preservação desta área de estepe cerealífera tem sido ameaçada por diversos factores, quer ecológicos, quer de natureza económica. Entre os factores ecológicos, a diminuição da capacidade produtiva do solo é uma forte ameaça à sustentabilidade do sistema (Sequeira, 1998; Marta-Pedroso et al., 2007a). O abandono agrícola, a "orestação de terras agrícolas com espécies de crescimento rápido e a pastorícia com encabeçamentos superiores aos tradicionais, sendo actividades mais rentáveis, estão entre os principais promotores de alteração do uso do solo, e portanto do sistema que designamos por estepe. As alterações do uso do solo observadas no passado recente estão fortemente relacionadas com alterações na orientação da política agrícola comum (PAC).
Além da actividade agrícola e da pastorícia houve sempre actividade mineira no Baixo Alentejo, devido a existência da Faixa piritosa Ibérica  na Zona Sul Portuguesa .
Extrato da Wikipédia:
A Faixa Piritosa Ibérica  constitui uma vasta área geográfica do sul da   Península Ibérica  na designada Zona Sul Portuguesa . Tem cerca de 250 km de comprimento e 30 a 50 km de largura, desenvolvendo-se desde   Alcácer do Sal  ( Portugal ), a noroeste, até   Sevilha  ( Espanha ), a sudeste.
Há 350 milhões de anos a actividade vulcânica submarina que ocorreu nesta região deu origem a importantes jazigos de sulfuretos maciços polimetálicos associados aos flancos de cones vulcânicos, na forma de   pirites , mas também de   calcopirites ,   blendas ,   galenas  e   cassiterites .
Na   Antiguidade , a actividade mineira é anterior aos   romanos , que se sabe terem explorado com intensidade minas como   Aljustrel  (Vipasca),   São Domingos  ou   Riotinto , associadas aos chapéus de ferro  ou gossans , zonas superficiais mais oxidadas das massas de sulfuretos.
Com a   Revolução Industrial , voltou a intensificar-se no   século XIX  a exploração mineira, tendo funcionado largas dezenas de minas que exploraram principalmente pirites.
A extracção de   enxofre  foi muito importante até aos finais da década de 50 do século XX devido à aplicação na   indústria química  (fabrico de   ácido sulfúrico ).
A viabilidade económica das minas da Faixa Piritosa depende actualmente da extracção de   cobre ,   zinco ,   chumbo  e, nalguns casos, de metais preciosos como o   ouro  e a   prata .
Muito interessante pelo aspecto geobotãnico e fitossociológico é a frequente existência de plantas adaptadas e resistentes ao teor elevado de metais pesados, normalmente muito tóxicos para as plantas em concentrações elevadas, nos solos das zonas mineiras. Estas plantas são denominadas metalófítas . O representante talvez mais conhecido é a Viola calaminaria, planta característica da associação Violetum calaminariae da Alemanha - associação pela primeira vez descrita por Mathias Schwickerath  (1892-1974) .
Entre essas espécies, podemos distinguir entre as metalófitas estritas (ou eumetalófitas), cujas populações só crescem em solos metálicos, e as pseudometalófitas (ou metalófitas facultativas), que têm populações metalícolas (que crescem em solos metálicos) e populações não-metalícolas (que crescem em solos não metálicos (Pollard et al.,2002) [7] .
Viola calaminaria - das “Galmeiveilchen” , uma metalófita da Alemanha [8]
Rio Tinto - Província de Huelva, Espanha [9]
Rio Tinto - Província de Huelva, Espanha [10]
Na realidade, parece pouco estudado no Alentejo a comunidade de plantas metalofíticas. Mas foi descrito por Capelo et. al. em 1998 [11]  uma ericácea nova para Portugal, Erica andevalensis , um endemismo proveniente da província de Huelva (Rio Tinto e Rio Odiel) onde também existem minas de extracção de pirites. Esta planta tem uma alta resistência à metais pesados e consegue sobreviver em ambientes extremamente ácidos [12] [13] .
Erica_andevalensis_1.JPG
Erica andevalensis Cabezudo & Rivera 
Erica andevalensis Cabezudo & Rivera 
Biogeograficamente, o Baixo Alentjo pertence ao Sector Mariânico-Monchiquense  e a uma parte do Sector Gaditano-Onubo-Algarviense . Descrevemos neste momento apenas o Sector  Mariâno-Monchiquense  que não abrange a zona litoral da província do Baixo Alentejo. Descrevemos o Sector Gaditano-Onubo-Algarviense  que se estende sobretudo ao longo da costa atlântica do centro, sul-oeste e sul de Portugal na contribuição sobre o Algarve e a Costa Vicentina, e nas contribuições sobre a Serra da Arrábida e a Beira Litoral.
Extrato da Carta biogeográfica de Portugal Continental. Costa et. al. (1998) [14]
3B SECTOR MARIÂNICO-MONCHIQUENSE
3B1 SUBSECTOR ARACENO-PACENSE
3B11 SUPERDISTRITO ARACENENSE
3B12 SUPERDISTRITO PACENSE
3B13 SUPERDISTRITO ALTO ALENTEJANO
3B2 SUBSECTOR BAIXO ALENTEJANO-MONCHIQUENSE
3B21 SUPERDISTRITO SERRANO-MONCHIQUENSE
3B22 SUPERDISTRITO BAIXO ALENTEJANO
Costa et al. (1998) [15]  caracterizem o Sector Mariânico-Monchiquense da seguinte forma:
O Sector Mariânico-Monchiquense  em Portugal também é essencialmente silicioso, contudo encontram-se algumas áreas dominadas por carbonatos com grau variável de metamorfização. Coyncia transtagana , Erica andevalensis , Euphorbia monchiquensis  e Genista polyanthos [16]  são endémicas deste território. Adenocarpus telonensis , Carthamus tinctorius , Centaurea ornata  subsp. ornata , Cytisus baeticus , Cytisus scoparius  var. bourgaei , Cynara tournefortii , Dianthus crassipes , Echium boissieri , Eryngium galioides , Leontodon salzamanii , Marsilea batardae , Onopordum macracanthum , Onopordum nervosum , Scrozonera crispatula , Serratula abulensis , Serratula barrelieri , Thymelaea villosa  são algumas plantas diferenciais do Sector no contexto da Província. Os sobreirais e os azinhais transformados em montados são predominantes na paisagem vegetal. Consideram-se exclusivos desta área os seguintes sintáxones: Euphorbio monchiquensis-Quercetum canariensis , Sanguisorbo-Quercetum suberis quercetosum canariensis , Phlomido purpureae-Juniperetum turbinatae , Phillyreo-Arbutetum rhododendrotosum baetici  (= Arbuto-Cistetum populifolii ) , Genistetum polyanthi , Ulici eriocladi-Ulicetum umbellatae , Cisto-Ulicetum minoris , Lavandulo sampaioanae-Cistetum albidi , Ulici erioclaci-Cistetum ladaniferi , Cisto ladaniferi-Ulicetum argentei  e Rubo ulmifoliae-Nerietum oleander securinegetosum tinctoriae . O salgueiral Salicetum atrocinereae-australis , é uma comunidade que ocorre no leito torrencial dos rios e ribeiras deste Sector.


Coyncia transtagana
  Erica andevalensis
Euphorbia monchiquensis
Genista polyabthos
. Adenocarpus telonensis
Carthamus tinctorius
Centaurea ornata  subsp. ornata
Cytisus baeticus
  Cytisus scoparius  var. bourgaei
Cynara tournefortii
Dianthus crassipes
Echium boissieri
Eryngium galioides
Leontodon salzamanii
Marsilea batardae
Onopordum macracanthum
Onopordum nervosum
Scrozonera crispatula
Serratula abulensis
Serratula barrelieri
Thymelaea villosa
No nosso país, diferenciam-se-se dois Subsectores no Sector Mariânico-Monchiquense: o Araceno-Pacense  e o Baixo-Alentejano-Monchiquense .
O Subsector Araceno-Pacense  é o mais setentrional e confina com o limite sul do Toledano-Tagano. Situa-se a norte da linha, que passa pelas serras de Monfurado e Mendro (Portel); Moura e Barrancos incluindo ainda a serras da Adiça, Ficalho e todo o vale termomediterrânico do Guadiana a sul do “ Pulo do Lobo” . As rochas predominantes são os xistos e granitos, contudo nesta área surgem os calcários metamórficos (mármores). São endémicas do território as comunidades de Ulex eriocladus  - Ulici eriocladi-Cistetum ladaniferi  e Ulici eriocladi-Ericetum umbellatae . A primeira distribui-se desde Elvas até base da encosta norte da Serra de Ossa, voltando a surgir nas serras da Adiça e Ficalho. O endemismo Digitalis purpurea  subsp. heywoodii , que se encontra nas rochas graníticas de Monsaraz também é exclusivo deste território. Em Portugal assinalam-se três Superdistritos: Aracenense , Pacense  e Alto-Alentejano .
Superdistrito Aracenense  que em Portugal se encontra representado pela serras da Adiça, Ficalho e pelo vale do Guadiana a sul do Pulo do Lobo, é essencialmente termomediterrânico seco, mas pode atingir o mesomediterrânico sub-húmido nas zonas mais altas (St.ª Iria e Contenda Sul). Armeria linkiana , Campanula transtagana , Daucus setifolius , Dianthus crassipes , Erica andevalensis , e Scabiosa stellata  ocorrem nesta área ajudando a caracterizar face aos vizinhos. A série dos azinhais silicícolas termomediterrânicos - Myrto communis-Querceto rotundifoliae   S.  predomina neste território, contudo a paisagem encontra-se dominada por etapas subseriais: o esteval termófilo Genisto hirsutae-Cistetum ladaniferi cistetosum monspeliensis , e o espargueiral / zambujal / carrascal Asparago albi-Rhamnetum oleoidis . Os sobreirais do Sanguisorbo-Quercetum suberis  são menos frequentes e encontram-se nas zonas mais húmidas à semelhança do seu urzal / tojal subserial, neste território: Ulici eriocladi-Ericetum   umbellatae . Nas zonas secas e semi-áridas do vale do Guadiana assinalam-se as maiores originalidades do território em comparação com os outros dois Superdistritos do Subsector: os zimbrais reliquiais edafoxerófilos do Phlomido purpureae-Juniperetum turbinatae , os escovais do Genistetum polyanthi  e o esteval Phlomido purpureae-Cistetum albidi . As comunidades semi-nitrófilas rupícolas do leito rochoso do rio - Centauro ornatae-Festucetum duriotaganae  ( Festucion duriotaganae , Rumicetalia induratae , Phagnalo-
Rumicetea ) tem o seu óptimo biogeográfico nesta unidade biogeográfica.


Armeria linkiana
Campanula transtagana
Daucus setifolius
Dianthus crassipes
Erica andevalensis
Scabiosa stellata
Em Portugal só uma pequena área raiana da bacia do rio Caia, que inclui aproximadamente os concelhos de Elvas e Campo Maior, pertence ao Superdistrito Pacense . É uma zona plana situada no andar mesomediterrânico sub-húmido, onde se encontram o tojal Ulici eriocladi-Cistetum ladaniferi  e o giestal Retamo sphaerocarpae-Cistetum bourgaei  que resultam da degradação dos azinhais silicícolas do Pyro-Quercetum rotundifoliae . No entanto, nos solos neutros sobre carbonatos metamórficos paleozóicos com pouco calcário activo, a vegetação potencial corresponde aos azinhais do Lonicero implexae-Quercetum rotundifoliae , que por destruição originaram o carrascal Crataego monogynae-Quercetum cocciferae  e o esteval Lavandulo sampaionae-Cistetum albidi . Nos montados sobre solos siliciosos a pastagem vivaz resultante do pastoreio por ovinos corresponde à associação Poo bulbosae-Trifolietum subterranei . Nos solos alcalinos e neutros, assinala-se Astragaleto sesamei-Poetum bulbosae . A vegetação neutro-basófila seminitrófila e ruderal da aliança Taeniathero-Aegilopion geniculatae  ( Bromenalia rubenti-tectori ) serve igualmente para discriminar estes territórios dos seus vizinhos.
Dos três Superdistritos do Sector Arceno-Pacense o Superdistrito Alto Alentejano  é aquele que ocupa maior superfície em Portugal. É uma área quase plana, ondulada, cortada por algumas serras de pequena altitude (Monfurado, Montemuro, Ossa), onde predominam solos de origem xistosa e granítica. Contudo, existe uma área importante de carbonatos metamórficos paleozóicos (mármores devónicos, diabases) em Estremoz, Vila Viçosa e Borba. Quase toda a sua área se situa no andar mesomediterrânico sub-húmido, podendo atingir o termomediterrânico na encosta oeste Serra de Monfurado. Os montados em solo silicioso do Pyro-Quercetum rotundifoliae  e os sobreirais do Sanguisorbo-Quercetum suberis  são dominantes na paisagem vegetal. Quanto aos matos subseriais o escoval Genistetum polyanthi  observa-se ao longo do vale do Guadiana, os estevais do Genisto hirsutae-Cistetum ladaniferi  e o esteval / urzal Erico australis-Cistetum populifolii  e os urzais do Halimio ocymoidis-Ericetum umbellatae  são vulgares em todo o território, ocorrendo ainda o giestal Retamo sphaerocarpae-Cytisetum bourgaei . Neste Superdistrito ocorre, ainda que de modo finícola, o amial Scrophulario-Alnetum glutinosae , sendo o freixial Ficario-Fraxinetum angustifoliae  a comunidade mais comum nas ribeiras e linhas de água, sendo também vulgar o Salicetum atrocinereo-australis  nos leitos torrenciais. Os juncais do Holoschoeno-Juncetum acuti , Trifolio-Holoschoenetum  e Juncetum rugosieffusi  bem como os prados Trifolio resupinati-Caricetum chaetophyllae , Gaudinio fragilis-Agrostietum castellanae , Pulicario paludosae-Agrostietum pourretii  e Loto subbiflori-Chaetopogenetum fasciculati  são comunidades que têm importância neste Superdistrito nos biótopos edafo-higrófilos. Na zona termomediterrânica, junto à Serra de Monfurado ocorre o matagal do Asparago aphylli-Calicotometum villosae  subserial do Myrto-Quercetum suberis . Nos mármores a série da azinheira Lonicero implexae-Querceto rotundifoliae S.  reaparece.
O Subsector Baixo Alentejano-Monchiquense  distribui-se a leste das serras costeiras alentejanas e a sul da linha de serras Monfurado, Montemuro, Adiça e a oeste do Guadiana. Tem dois Superdistritos distintos: um mais montanhoso e costeiro ( Serrano-Monchiquense ) e outro mais plano e interior ( Baixo-Alentejano ). Erico australis-Cistetum populifolii,   Cisto psilosepali-Ericetum lusitanicae , Genisto hirsutae-Cistetum ladaniferi  são associações que se distribuem no Subsector. Reconhecem-se dois Superdistritos distintos: o Serrano-Monchiquense  e o Baixo Alentejano .
O Superdistrito Serrano-Monchiquense é um território constituído por pela Serra síenitica de Monchique e serras xistosas (também quartzíticas e metavulcaníticas) e graníticas, em geral de baixa ou média altitude (Grândola, Cercal, S. Luis, Espinhaço de Cão, Caldeirão). Encontra-se quase todo no andar termomediterânico sub-húmido a húmido, excepto nas zonas mais elevadas em que o atinge o mesomediterrânico húmido. Armeria beirana  subsp. monchiquensis  e Lavandula viridis  são endémicas do Superdistrito, sendo também características (i.e. diferenciais deste território, em face de outros da Província: Cheilanthes guanchica , Centaurea crocata , Euphorbia monchiquensis , Quercus canariensis , Quercus lusitanica , Rhododendrum ponticum  subsp. baeticum , Senecio lopezii , Stauracanthus boivinii , Thymelaea villosa , Ulex argenteus  subsp. argenteus , Ulex minor . Possui algumas comunidades endémicas como o Euphorbio monchiquensis-Quercetum canariensis , Sanguisorbo-Quercetum suberis quercetosum canariensis , Phillyreo-Arbutetum rhododendrotosum baetici , Cisto-Ulicetum minoris , Cisto ladaniferi-Ulicetum argentei  e Senecio lopezii-Cheirolophetum sempervirentis . Neste território o Myrto-Quercetum suberis  e o Sanguisorbo-Quercetum suberis  constituem as etapas florestais potenciais dominantes nos andares termo- e mesomediterrânicos respectivamente. Os matagais de carvalhiça do Querco lusitanicae-Stauracanthetum boivinii , e o esteval / urzal do Erico australis-Cistetum populifolii  são associações vulgares desta unidade.


Armeria beirana   subsp. monchiquensis
Lavandula viridis  
Cheilanthes guanchica
Centaurea crocata
Euphorbia monchiquensis
Quercus canariensis
Quercus lusitanica
Rhododendrum ponticum  subsp. baeticum .
Senecio lopezii ,
Stauracanthus boivinii
Thymelaea villosa
Ulex argenteus  subsp. argenteus
Ulex minor
O Superdistrito Baixo Alentejano  é um território plano, menos chuvoso e mais continental que o anterior. Tem um ombroclima sub-húmido a seco e situa-se maioritariamente no andar termomediterrânico podendo atingir em alguns locais o andar mesomediterrânico. Os solos são xistosos na sua maioria, com a excepção dos chamados “barros de Beja” que são solos vérticos com origem em rochas máficas (dioritos, gabros, andesitos, basaltos). A Linaria ricardoi  e Armeria neglecta  são dois endemismos do Superdistrito que se encontram em vias de extinção. Os montados que resultam do Pyro bourgaeanae-Quercetum rotundifoliae , caracterizam a Região, bem como o esteval Genisto hirsutae-Cistetum ladaniferi . Contudo em alguns locais reconhece-se o azinhal termófilo Myrto-Quercetum rotundifoliae , os matagais de Asparago albi-Rhamnetum oleoidis  e Oleo-Pistacietum lentisci sensu auct. , o esteval Phlomido purpureo-Cistetum albidi  e o escoval Genistetum polyanthi . Os montados de sobro ( Myrto-Quercetum suberis  e Sanguisorbo-Quercetum suberis ) ocorrem esporadicamente em algumas situações climaticamente mais favoráveis. Nos solos hidromórficos com horizontes glei associados a freatismo é frequente observarem-se os juncais do Holoschoeno-Juncetum acuti , Trifolio-Holoschoenetum  e Juncetum rugosi-effusi , bem como os prados Gaudinio fragilis-Agrostietum castellanae , Pulicario paludosae-Agrostietum pourretii , Trifolio resupinati-Caricetum chaetophyllae , Loto subbiflori-Chaetopogenetum fasciculati  e Hyperico humifusi-Chaetopogonetum fasciculati . Os prados do Poo bulbosae-Trifolietum subterranei  e do Poo bulbosae-Astragaletum sesamei  também ocorrem esporadicamente.


Linaria ricardoi
  Armeria neglecta  
A seguir uma amostra de 436 espécies de plantas vasculares de Barrancos do Baixo Alentejo (quadrícula PC72 - FLORA-ON):
Flora do Baixo Alentejo - Quadricula PC72  - Barrancos


Espécies ainda sem imagem:

Veja à seguir: 2.2 Serra da Arrábida


[3]  It índice de termicidade – índice que pondera a intensidade de frio invernal. É um factor
muito importante uma vez que o frio invernal actua como factor limitante para muitas
plantas e comunidades vegetais. O seu valor é exprimido através da expressão:
It = (T+m+M) 10
[4]  Tp temperatura positiva anual – soma, em décimas de graus centígrados, das
temperaturas médias dos meses com média superior a zero graus centígrados. Quando no
território todos os meses apresentam uma média positiva, o valor obtém-se através da
multiplicação da temperatura média anual, expressa em décimas de graus, pelo número de
meses (12). Tp = T x 12
[5]  Itc índice de termicidade de compensado. Índice expresso pela seguinte formula,
Itc = It ±C Quando o valor de Ic se encontra compreendido no intervalo 11>Ic<18 o Itc considera-se
igual a It. Pelo contrário se 11<Ic>18, então o índice de termicidade terá de ser
compensado adicionando ou subtraindo um valor de compensação (C), respectivamente
para climas continentais e oceânicos.
[7]  Pollard, A.J., Powell, K.D., Harper, F.A., Smith, J.A.C., 2002. The genetic basis of metal hyperaccumulation in plants. Cr. Rev. Plant Sci. 21, 539 - 566
[11]  Capelo JH, Bingre P, Arsénio P, Espiríto-Santo MD. 1998. Uma ericácea nova para a flora portuguesa.
Silva Lusitana 6, 119-120.
[16]  As referências e este táxone no Vale do Tejo referem-se provavelmente a Genista histrix  Lange (E. Costa,. 1997). 


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